terça-feira, novembro 15, 2005

...de José Júlio

Paisagem
Autor: José Júlio de Andrade Santos (1916 - 1963)
Século: XX Ano: 1958
Tipo: óleo sobre tela
Local: Centro de Arte Moderna (Lisboa)

segunda-feira, novembro 14, 2005

...de Álvaro de Campos




Às Vezes

"Às vezes tenho idéias felizes,
Idéias subitamente felizes, em idéias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...
Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto?
Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?..."

sexta-feira, novembro 11, 2005

quarta-feira, novembro 09, 2005

...de Adriana


Depois de ter você
Pra quê querer saber
que horas são?
se é noite ou faz calor
se estamos no Verão
se o sol virá ou não
ou pra que é que serve uma canção, como essa

depois de ter você
poetas para quê? os deuses, as dúvidas?
pra quê amendoeiras pelas ruas
para que servem as ruas?

Depois de ter você
Pra quê querer saber se é noite ou faz calor
se estamos no verão, pra quê amendoeiras
pra que servem as ruas, depois de ter você?

de: Adriana Calcanhoto "Depois de ter você"

terça-feira, novembro 08, 2005

...de Carlos Drummond de Andrade

Viver não dói

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Porque sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos porque?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projecções irrealizadas,
por todas as cidades
que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente connosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos
e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que
o desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-nos do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade

...de pintura em português

Barcos
Século: XX Ano: c. 1913
Tipo: óleo sobre telaDimensões: 30,2 x 40,6 cm
Local: Centro de Arte Moderna (Lisboa)

Século: XX Ano: c. 1917
Tipo: óleo sobre telaDimensões: 86 x 66 cm
Local: Centro de Arte Moderna (Lisboa)

segunda-feira, novembro 07, 2005

...de cor e paixão

"Se Deus quiser
um dia eu quero ser indio
viver pelado, pintado, de verde
num eterno domingo
ser um bicho preguiça
e espantar turista
E tomar banho de Sol, banho de Sol, banho de Sol...

Se Deus quiser
um dia acabo voando
tão banal assim como um pardal
meio de contrabando
desviado e estilingue
deixar que me xinguem
tomar banho de Sol, banho de Sol, banho de sol...

Se Deus quiser
um dia eu viro semente
e quando a chuva molhar o jardim
ai eu fico contente
e na primavera vou brotar na terra
e tomar banho de Sol, banho de Sol, banho de Sol...

Se Deus quiser
um dia eu morro bem velha
na hora H quando a bomba estoirar
quero ver da janela
e entrar no pacote, de camarote
e tomar banho de Sol, banho de Sol, banho de Sol...

Mas e se me der na telha
sou capaz, de enlouquecer
e mandar
tudo praquele lugar
e fugir com você, pra Shangrilá
e me deixar levar
por um beijo eterno
do seu corpo envolvente
mais quente que inferno

baila comigo, como se baila na tribo
baila, baila comigo
lá no meu esconderijo
baila comigo, como se baila na tribo
baila, baila comigo
lá no meu esconderijo..."

de Rita Lee: " Baila comigo"

...de cor


Ás vezes ocorrem-nos inquietações, que surgem não sabemos de onde...
Universos interiores...

domingo, novembro 06, 2005

...de Pessoa

"Tudo que faço ou medito
Fica sempre na metade,
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço –

Um mar onde bóiam lentos,
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem. "

Fernando Pessoa

Como é possível que um génio como Pessoa pudesse ter sentimentos tão imperfeitos, como eu

sábado, novembro 05, 2005

...de Aleixo


Após um dia tristonho
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho
são assim todos os dias.
Mentiu com habilidade
fez quantas mentiras quis
Agora fala a verdade
ninguém crê no que ele diz.
António Aleixo