sexta-feira, novembro 18, 2005

...de ouro sobre azul

... É preciso morrer e nascer de novo...

quinta-feira, novembro 17, 2005

...lilás

Alameda de Jacarandás (Jacaranda ovalifolium)
Retirei esta foto da net porque me fez lembrar um largo em Évora onde havia Jacarandás...
Nesta fase da floração, é uma sensação inesquecivel atravessar esta mancha de cor

quarta-feira, novembro 16, 2005

... de Pablo Neruda


“Morre lentamente...

quem não lê,
quem não viaja,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente...
Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente...
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor
Ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente...
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções
Justamente as que resgatam o brilho dos olhos
E os corações aos tropeços.

Morre lentamente...
Quem não vira a mesa quando está infeliz com
O seu trabalho, ou seu amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto para ir
Atrás de um sonho
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos...

Viva Hoje!

Arrisque Hoje!

Faça Hoje!

Não se deixe morrer lentamente!

Não se esqueça de ser Feliz!”

Texto de: Pablo Neruda

...de amor



O amor é bom, o amor é lindo!
O amor não precisa palavras, basta um olhar
Uma entrega plena de um coração a outro coração
Um sentimento de unidade, sem longe nem distância.

O amor é confiante, sem dúvidas, livre, incondicional
Um embarque numa aventura louca, sem termo e sem destino
Muita paz, pele, suor e lágrimas.

O amor é o desejo de eternizar momentos
Partilhados, de prazer mutuo.

É verdade
Não sei se sei a dimensão do teu amor
Mas sei que ás vezes sinto que não o mereço,
Que não estou á altura da pureza do teu sentimento

O amor existe
Nos momentos bons e maus, ele está sempre presente
Guarda-me contigo, amor.
3 / 8 / 2004

...de namoro

" Ter ou não Ter "

Quem não tem namorado
é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil por que namorado de verdade é muito raro.
Necessita de adivinhação, de pele, de saliva,
lágrimas, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil .
Mas namorado é mesmo difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito,
mas ser aquele a quem quer se proteger
e quando se chega ao lado dele a gente treme,
sua frio e quase desmaia, pedindo proteção.
A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira,
basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor,
é quem não sabe o gosto de namorar.
Se você tem três pretendentes , dois paqueras,
um envolvimento e dois amantes,
mesmo assim pode não ter um namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva,
cinema sessão das duas, medo do pai,
sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho,
quem se acaricia sem vontade de virar sorvete
ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade.
Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida,
escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas,
do carinho escondido na hora em que passa o filme,
de flor catada no muro e entregue de repente,
de poesia de Fernando Pessoa,
Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar,
de gargalhadas quando fala junto ou descobre a meia rasgada,
de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia
ou mesmo metrô, nuvem, cavalo alado,
tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado,
fazer sesta abraçado, fazer compras junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor,
nem ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele,
abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e do amado e sai com ela para parques, fliperama,
beira d´agua, show de Milton Nascimento,
bosques enluarados, ruas de sonho ou musical do metrô.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele,
quem não dedica livros, quem não recorta artigos,
quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado.
Não tem namorado quem ama sem gostar,
quem gosta sem curtir, quem curte sem se aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto
de ser lembrado de repente no fim de semana,
de madrugada ou no meio dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar,
quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações,
quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem não fala sozinho,
não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afectivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre
e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos,
ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar.
Enfeite-se com margaridas e ternuras
escove a alma com leves fricções de esperança.
De alma escovada e coração estouvado,
saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caquie sorria lírios para quem passar debaixo de sua janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos
e beba licor de conto de fadas.
Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta
e do céu descesse uma névoa de borboletas,
cada qual trazendo uma pérola falante
a dizer frases subtis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu
aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar
e de repente começar a fazer sentido."

Artur da Távola

terça-feira, novembro 15, 2005

...de José Júlio

Paisagem
Autor: José Júlio de Andrade Santos (1916 - 1963)
Século: XX Ano: 1958
Tipo: óleo sobre tela
Local: Centro de Arte Moderna (Lisboa)

segunda-feira, novembro 14, 2005

...de Álvaro de Campos




Às Vezes

"Às vezes tenho idéias felizes,
Idéias subitamente felizes, em idéias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...
Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto?
Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?..."

sexta-feira, novembro 11, 2005

quarta-feira, novembro 09, 2005

...de Adriana


Depois de ter você
Pra quê querer saber
que horas são?
se é noite ou faz calor
se estamos no Verão
se o sol virá ou não
ou pra que é que serve uma canção, como essa

depois de ter você
poetas para quê? os deuses, as dúvidas?
pra quê amendoeiras pelas ruas
para que servem as ruas?

Depois de ter você
Pra quê querer saber se é noite ou faz calor
se estamos no verão, pra quê amendoeiras
pra que servem as ruas, depois de ter você?

de: Adriana Calcanhoto "Depois de ter você"

terça-feira, novembro 08, 2005

...de Carlos Drummond de Andrade

Viver não dói

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Porque sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos porque?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projecções irrealizadas,
por todas as cidades
que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente connosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos
e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que
o desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-nos do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade

...de pintura em português

Barcos
Século: XX Ano: c. 1913
Tipo: óleo sobre telaDimensões: 30,2 x 40,6 cm
Local: Centro de Arte Moderna (Lisboa)

Século: XX Ano: c. 1917
Tipo: óleo sobre telaDimensões: 86 x 66 cm
Local: Centro de Arte Moderna (Lisboa)

segunda-feira, novembro 07, 2005

...de cor e paixão

"Se Deus quiser
um dia eu quero ser indio
viver pelado, pintado, de verde
num eterno domingo
ser um bicho preguiça
e espantar turista
E tomar banho de Sol, banho de Sol, banho de Sol...

Se Deus quiser
um dia acabo voando
tão banal assim como um pardal
meio de contrabando
desviado e estilingue
deixar que me xinguem
tomar banho de Sol, banho de Sol, banho de sol...

Se Deus quiser
um dia eu viro semente
e quando a chuva molhar o jardim
ai eu fico contente
e na primavera vou brotar na terra
e tomar banho de Sol, banho de Sol, banho de Sol...

Se Deus quiser
um dia eu morro bem velha
na hora H quando a bomba estoirar
quero ver da janela
e entrar no pacote, de camarote
e tomar banho de Sol, banho de Sol, banho de Sol...

Mas e se me der na telha
sou capaz, de enlouquecer
e mandar
tudo praquele lugar
e fugir com você, pra Shangrilá
e me deixar levar
por um beijo eterno
do seu corpo envolvente
mais quente que inferno

baila comigo, como se baila na tribo
baila, baila comigo
lá no meu esconderijo
baila comigo, como se baila na tribo
baila, baila comigo
lá no meu esconderijo..."

de Rita Lee: " Baila comigo"

...de cor


Ás vezes ocorrem-nos inquietações, que surgem não sabemos de onde...
Universos interiores...

domingo, novembro 06, 2005

...de Pessoa

"Tudo que faço ou medito
Fica sempre na metade,
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço –

Um mar onde bóiam lentos,
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem. "

Fernando Pessoa

Como é possível que um génio como Pessoa pudesse ter sentimentos tão imperfeitos, como eu

sábado, novembro 05, 2005

...de Aleixo


Após um dia tristonho
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho
são assim todos os dias.
Mentiu com habilidade
fez quantas mentiras quis
Agora fala a verdade
ninguém crê no que ele diz.
António Aleixo