sábado, janeiro 13, 2007

... mas Eu

Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através
disto tudo como ter sede sem ser de água.
Álvaro de Campos
Abandono-me
Entrego-me
Como uma árvore nos braços do vento
Como a espuma na crista da onda
Como uma onda que acaba rendida
... na praia

3 comentários:

Mila disse...

Por que nos contentamos com viver rastejando, quando sentimos o desejo de voar?

(Hellen Keller)

Plum disse...

Empatia co o que é natural!Adorei!Abraços!*

João disse...

lindo...