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sexta-feira, agosto 01, 2008

... de Perfume


O que sou eu? – O Perfume,
Dizem os homens. – Serei.
Mas o que sou nem eu sei...
Sou uma sombra de lume!


Rasgo a aragem como um gume
De espada: Subi. Voei.
Onde passava, deixei
A essência que me resume.


Liberdade, eu me cativo:
Numa renda, um nada, eu vivo
Vida de Sonho e Verdade!


Passam os dias, e em vão!
– Eu sou a Recordação;
Sou mais, ainda: a Saudade.


António Correia de Oliveira (1879 - 1960), Perfume